Conheça o fungo que reduz a produtividade em lavouras de soja e avança em MS
19/01/2026
(Foto: Reprodução) IA agiliza testes de ferrugem asiática
A safra de soja 2025/2026 registra aumento nos casos de ferrugem-asiática em Mato Grosso do Sul. De acordo com dados do Consórcio Antiferrugem, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), já foram confirmadas 55 ocorrências da doença no estado desde o início da safra, em setembro de 2025.
As ocorrências mais recentes foram registradas na sexta-feira (16), em Rio Brilhante, Campo Grande e Dourados. O número é superior ao da safra 2024/2025, quando foram contabilizados 12 casos no estado.
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Casos por município
Naviraí - 13 ocorrências
Sete Quedas - 8 ocorrências
Aral Moreira - 4 ocorrências
Dourados - 3 ocorrências
Laguna Carapã - 3 ocorrências
Maracaju - 3 ocorrências
Ponta Porã - 3 ocorrências
Amambaí - 2 ocorrências
Antônio João - 2 ocorrências
Bonito - 2 ocorrências
Caarapó - 2 ocorrências
Coronel Sapucaia - 2 ocorrências
Itaquirai - 2 ocorrências
Ivinhema - 2 ocorrências
Guia Lopes da Laguna - 1 ocorrência
Itaporã - 1 ocorrência
Juti - 1 ocorrência
Sidrolândia - 1 ocorrência
Rio Brilhante - 1 ocorrência
Campo Grande - 1 ocorrência
O que é a ferrugem-asiática
Segundo o assessor técnico da Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul (Aprosoja), Flavio Aguena, a ferrugem-asiática é causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi e é considerada a principal doença da soja.
“Isso acontece porque o fungo tem uma alta capacidade de disseminação e também impacta significativamente na produtividade da cultura”, explica.
A doença atinge as folhas da planta e pode causar desfolha precoce. Com isso, há redução da fotossíntese, o que interfere no rendimento da lavoura.
Prevenção e manejo da doença
De acordo com Flavio Aguena, a principal forma de controle é a prevenção. Entre as medidas adotadas está o vazio sanitário da soja, além do monitoramento constante das áreas. Ele destaca a importância de eliminar a chamada soja tiguera, que nasce de forma espontânea a partir de grãos que ficaram no solo após a colheita da safra anterior.
Outra alternativa é o plantio antecipado, com o uso de variedades de ciclo mais curto. Segundo ele, essas ações ajudam a reduzir os impactos da ferrugem-asiática ao longo da safra.
Uso de fungicidas
A pesquisadora da Embrapa, Claudia Godoy, afirma que o uso de fungicidas é a principal estratégia de controle da doença.
“A ferrugem tem controle com fungicida e há cultivares com genes de resistência que também ajudam no manejo. Nessa fase onde as lavouras estão implantas, a única estratégia de controle são os fungicidas.”
Ela explica que a ocorrência da ferrugem é comum em todas as safras, com início geralmente entre o fim de novembro e o começo de dezembro, e aumento dos casos em janeiro. “Como tem muita soja fechada, em fase de formação de grãos, o microclima para infecção nas folhas baixeias favorece a ocorrência da doença. A maior frequência de chuvas nessa época também favorece a doença”, afirma.
Segundo a pesquisadora, o número elevado de registros não indica perda de controle da doença. “O fungo da ferrugem se dissemina pelo vento e os relatos auxiliam o produtor a direcionar o controle para a ferrugem. Mas é uma doença que tem controle e as lavouras recebem aplicações de fungicidas para outras doenças então normalmente estão protegidas para a ferrugem também”.
Lavoura de soja com ferrugem-asiática.
Mauricio Meyer/Antonio Neto
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