Exame toxicológico para CNH: quais as drogas dão positivo e como é feita a detecção?

  • 16/01/2026
Vai tirar a primeira CNH? Veja o que pode reprovar no exame toxicológico Em dezembro de 2025, o Congresso Nacional aprovou a exigência do exame toxicológico para a emissão da primeira CNH nas categorias A e B. Com a mudança, quem pretende tirar a habilitação precisa apresentar resultado negativo em um teste que identifica o uso de drogas nos últimos meses. Veja como o exame funciona e o que pode levar à reprovação. Com a ampliação da exigência do exame toxicológico, cresce a atenção sobre o que, de fato, reprova no teste. Nos levantamentos realizados entre 2021 e 2025, a cocaína lidera a lista de substâncias mais detectadas em exames toxicológicos no Brasil feitos com motoristas das categorias C, D e E, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). O número elevado, no entanto, não significa necessariamente que a droga seja a mais consumida. Especialista explica que um único uso pode gerar vários “rastros” no organismo, todos identificados pelo teste. O que reprova no exame toxicológico, na prática? O exame toxicológico da CNH é organizado por classes de substâncias, que reúnem diferentes compostos analisados em conjunto. Se qualquer uma dessas substâncias for detectada dentro da janela de análise, o resultado é considerado positivo. Veja abaixo as classes e exemplos de substâncias detectadas Substâncias detectadas no exame toxicológico Como é feito o exame? O exame toxicológico de larga janela utiliza amostras de cabelo, pelos ou unhas e identifica o consumo de substâncias psicoativas em um período retrospectivo mínimo de 90 dias, podendo chegar a 180 dias O processo envolve coleta em postos credenciados, análise laboratorial e emissão de laudo rastreável. A confiabilidade é garantida por normas técnicas, cadeia de custódia e procedimentos que evitam contaminação ou adulteração da amostra. “Cabelos e unhas funcionam como ‘arquivos biológicos’, permitindo detectar o uso de drogas semanas ou até meses após o consumo, com mais confiabilidade do que exames de sangue ou urina”, afirma Aryadyne Bueno, médica que atua em um laboratório de exames toxicológicos no Paraná. Etapas do exame Agendamento e escolha do laboratório credenciado Coleta da amostra biológica Envio da amostra ao laboratório Análise laboratorial Emissão do laudo As substâncias que mais aparecem nos exames (2021-2025) Cocaína: 462.643 (cerca de 87%) Opiáceos: 37.797 (7%) Anfetaminas: 21.938 (4%) Maconha: 10.525 (2%) A predominância da cocaína nos exames está ligada à forma como a droga é metabolizada pelo organismo. Após o consumo, a substância se transforma em diferentes metabólitos que permanecem depositados no cabelo por longos períodos. “Após o consumo, o organismo metaboliza a cocaína em diferentes substâncias, como a benzoilecgonina, a norcocaína e o cocaetileno, este último gerado especificamente quando há o uso combinado com o álcool. Mesmo após a eliminação da droga pelo corpo, esses metabólitos continuam depositados no cabelo ou pelos, permitindo que os exames identifiquem diversos derivados de uma mesma substância. Por isso, a presença desses metabólitos confirma a exposição à droga, mas não deve ser confundida com múltiplos episódios de uso”, afirma Lucas Lucas Sanches, coordenador de produção do laboratório de exames toxicológicos Chromatox. As anfetaminas aparecem entre as substâncias mais detectadas e são frequentemente associadas ao uso de estimulantes conhecidos como “rebites”, utilizados para tentar manter o estado de alerta em viagens longas. Os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que, entre 2021 e 2025, foram realizados quase 18,5 milhões de exames toxicológicos em motoristas profissionais. Desse total, 223 mil tiveram resultado positivo, o equivalente a pouco mais de 1,2%. No mesmo período, porém, foram registradas mais de 530 mil detecções de substâncias, número superior ao de testes positivos porque um único exame pode identificar mais de um composto ligado à mesma droga. Como isso funciona em situações reais? Usei maconha em uma festa há dois meses. Vou reprovar? Pode reprovar, o uso recreativo de canabinoides (como a maconha/THC) pode aparecer no exame toxicológico, mesmo em pequenas quantidades, porque os metabólitos da substância ficam incorporados à queratina presente em cabelos, pelos e unhas. O exame tem janela mínima de detecção de 90 dias. Usei cocaína ocasionalmente. Aparece? Sim. A cocaína e seus metabólitos costumam ser detectados no exame de larga janela. Mesmo uso recreativo ou ocasional pode ser identificado, já que o exame não mede quantidade exata, apenas a presença da substância. A sensibilidade dos métodos laboratoriais (cromatografia e espectrometria de massa) permite detectar níveis muito baixos. Quanto tempo a cocaína fica no cabelo? O exame analisa um histórico mínimo de 90 dias, independentemente de a droga ter sido usada uma única vez ou em poucas ocasiões. O exame detecta álcool? Não. O álcool não é pesquisado no exame toxicológico exigido para a CNH. Remédios podem reprovar no teste? Entre os medicamentos, o principal que pode levar à reprovação é o mazindol, um emagrecedor com efeito estimulante. Ele faz parte das substâncias pesquisadas no exame toxicológico da CNH. Especialistas orientam que candidatos à habilitação informem ao laboratório sobre o uso de medicamentos e apresentem prescrição médica, embora a presença do mazindol ainda possa resultar em exame positivo. Segundo Aryadyne Bueno, se o exame detectar mazindol, o resultado tende a ser considerado positivo, já que a substância integra a lista de drogas monitoradas pelo Contran/Senatran. O mazindol é um estimulante do sistema nervoso central, estruturalmente relacionado com a anfetamina, e, por isso, é identificado no exame. O condutor que testar positivo não poderá obter ou renovar a CNH até apresentar resultado negativo, uma vez que o uso da substância pode afetar o sistema nervoso central, causando insônia, agitação, aumento da pressão arterial e alteração dos reflexos. Mitos e tentativas de burlar o exame 1. ❌ Raspar o cabelo evita o exame. O laboratório pode usar pelos ou unhas. 2- ❌ Urina ou sangue podem ser utilizados para fazer o exame. Não. O uso de cabelo e unhas se deve à capacidade dessas estruturas de armazenar substâncias químicas por longos períodos. 3-❌ Dá para “limpar” o organismo em semanas com água ou chás. A janela de detecção é de meses e não é influenciada por hidratação ou mudanças na dieta. 4-❌ Remédio comuns podem dar positivo Remédios de uso habitual não são analisados; a principal exceção é o mazindol. O que a nova exigência do exame toxicológico significa para futuros motoristas A mudança foi aprovada por meio do Projeto de Lei nº 15.153/2025. Até então, a obrigatoriedade valia apenas para condutores das categorias C, D e E, que incluem veículos de carga, transporte coletivo e combinações com unidades acopladas. Segundo estimativa da Chromatox, laboratório de exames toxicológicos credenciado pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), a nova regra deve gerar entre 1,3 milhão e 2 milhões de novos exames em 2026, um crescimento superior a um terço em relação ao mercado atual. “O exame toxicológico é uma ferramenta importante para aumentar a segurança viária, prevenir acidentes e garantir que condutores não estejam sob efeito de substâncias psicoativas. É uma medida de proteção não só ao motorista, mas também a passageiros, pedestres e à sociedade”, afirma Aryadyne Bueno. Onde realizar o exame? O exame deve ser feito em laboratórios credenciados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran). A Lei nº 15.153/2025 também permite que clínicas médicas de aptidão física e mental tenham postos de coleta. A validade do exame é de 90 dias a partir da coleta. Segundo a Associação Brasileira de Toxicologia (Abtox), o custo varia entre R$ 110 e R$ 250, com prazo médio de até 10 dias úteis para o resultado. (*Estagiária, sob supervisão de Ardilhes Moreira)

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/16/exame-toxicologico-para-cnh-entenda-quais-as-drogas-dao-positivo-e-como-e-feita-a-deteccao.ghtml


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