Mortes em ações de imigração levam senador republicano a pedir saída da chefe da Segurança Interna dos EUA
27/01/2026
(Foto: Reprodução) Semana começa com alta tensão em Mineápolis depois da morte de cidadão americano por agentes federais de imigração
O senador republicano, Thom Tillis, disse na terça-feira (27) que a secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, “deveria estar fora do cargo”.
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A fala de Tillis ocorre após a morte do enfermeiro Alex Pretti, de 37 anos, baleado por um agente federal de imigração durante uma ação em Minneapolis. O episódio ocorreu duas semanas depois da morte de outra cidadã americana, também durante uma operação na região.
“O que ela fez em Minnesota deveria ser desqualificante. Ela deveria estar fora do cargo”, Tillis disse a repórteres.
O pedido do republicano ocorre no contexto do afastamento do chefe da operação anti-imigração e da mudança de discurso do presidente Donald Trump. (Saiba mais abaixo).
A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem
REUTERS/David 'Dee' Delgado/Foto de Arquivo
Gregory Bovino é removido do cargo
Nesta segunda (26), fontes ouvidas pela Reuters e pelo The New York Times afirmaram que Gregory Bovino, comandante da Patrulha de Fronteira dos EUA ligado às operações federais de imigração em Minneapolis, deixará o posto de “comandante em missão especial” e será realocado.
Após a morte de Pretti, Noem afirmou que o enfermeiro representava uma ameaça aos agentes. Bovino endossou essa versão e afirmou, sem apresentar provas, que o enfermeiro planejava um “massacre” contra policiais.
Segundo o New York Times, a decisão de realocar Bovino foi tomada depois dessas declarações. Ainda de acordo com o jornal, parte dos agentes federais destacados para Minneapolis deve começar a deixar a cidade nesta terça-feira (27).
Trump muda o discurso
Nesta terça-feira (27), o presidente norte-americano Donald Trump mostrou que realmente mudou seu discurso e tentou apaziguar os ânimos ao falar com jornalistas sobre as operações do Serviço de Imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) em Minneapolis.
Questionado se concordava com a descrição feita por seu vice-chefe de gabinete, Stephen Miller, sobre Alex Pretti, enfermeiro morto pelos agentes federais de imigração no sábado (24), Trump afirmou que não concorda com o rótulo de "assassino" usado pelo aliado, mas condenou o fato da vítima estar armada no protesto.
"Não concordo, mas dito isso, você não pode portar armas, não pode andar por aí com armas, você não pode fazer isso, mas é um incidente muito lamentável", declarou.
A fala contraria grupos pró-armas, tradicionalmente aliados do Partido Republicano.
➡️Pretti, que possuía licença para portar arma, estava carregando uma arma de fogo. Vídeos mostram, no entanto, que o enfermeiro não sacou a pistola e tinha apenas um celular na mão. Um agente do ICE removeu a arma da cintura de Pretti, quando ele estava dominado no chão. No instante seguinte, outro agente atira nas costas do enfermeiro.
Mais tarde nesta terça (27), Trump afirmou também que iria "reduzir um pouco a escalada" em Minnesota, em entrevista a FoxNews.
A morte de Pretti gerou uma onda de manifestações contra o governo Trump e operações anti-imigratórias nos EUA. A ação foi criticada até mesmo por associações pró-armas, que simpatizam com o presidente. (Leia mais abaixo).
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Morte
Autoridades federais disseram que Pretti estava armado durante a abordagem e que teria sacado a arma. Por este motivo, segundo o governo, um dos agentes atirou contra ele. A versão, no entanto, é contestada.
O jornal The New York Times analisou os vídeos da abordagem. Pelas imagens, não há qualquer sinal de que ele tenha sacado a arma. Também não há indícios de que os agentes soubessem que Pretti estava armado.
A análise do vídeo feita pelo NYT mostra:
Pretti se coloca entre uma mulher e um agente de imigração que usava spray de pimenta contra ela.
A imagem mostra o enfermeiro segurando um celular em uma mão e sem nada na outra.
Ele é cercado por um grupo de 7 agentes de imigração, derrubado e imobilizado no chão.
Um dos agentes se aproxima e parece retirar uma arma, enquanto outro joga repetidamente spray de pimenta em Pretti.
O agente que teria retirado a arma se afasta.
Ao mesmo tempo, enquanto Pretti está ajoelhado e imobilizado, o agente que se encontra diretamente acima dele aparenta disparar um tiro à queima-roupa no enfermeiro.
Imediatamente depois, são feitos mais disparos.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos classificou o caso como um ataque contra agentes. A secretária Kristi Noem disse que Pretti estava no local para “perpetuar a violência”.
Enquanto isso, autoridades locais criticaram a ação dos agentes federais. O governador de Minnesota, Tim Walz, disse que as imagens são “revoltantes” e declarou que o estado não confia no governo federal para conduzir a investigação sobre o caso.
Já o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, questionou quantos moradores ainda precisarão morrer para que as operações federais na cidade sejam encerradas.
Alex Pretti, o homem que foi baleado por um agente federal em Minneapolis no sábado, 24 de janeiro de 2026
AP
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