MP abre inquérito para investigar prefeito de São José por veto a Milly Lacombe em feira literária

  • 16/01/2026
(Foto: Reprodução)
FLIM é adiada após veto a Milly Lacombe e cancelamentos de convidados O Ministério Público do Estado de São Paulo instaurou um Inquérito Civil para apurar a exclusão da jornalista e escritora Milly Lacombe da 11ª edição da Festa Litero Musical do Vale do Paraíba (Flim), realizada em São José dos Campos. A investigação foi aberta após o recebimento de diversas notícias que apontaram possível ato de censura e violação à liberdade de expressão e ao direito de acesso à cultura. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Vale do Paraíba e região no WhatsApp A confusão começou depois que a jornalista participou de uma entrevista ao podcast “Louva a Deusa”, em julho do ano passado. Um trecho em que ela critica o modelo tradicional de família viralizou. “Esse negócio de família tá f**** a gente. Família é um núcleo produtor de neurose. Essa família tradicional, branca, conservadora, brasileira. Gente, isso é um horror. É a base do fascismo. Falemos a verdade”, disse Milly Lacombe. Em setembro, já com a presença de Milly confirmada na mesa de abertura da Flim, políticos de oposição, como o vereador Thomaz Henrique (PL), passaram a pressionar a administração municipal de São José dos Campos. A portaria que instaurou o inquérito civil cita um vídeo publicado nas redes sociais pelo vereador Zé Luís (PSD), no dia 16 de setembro de 2025, ao lado do prefeito Anderson Farias. Na conversa, o prefeito diz que ligou para o gestor do Parque Vicentina Aranha no sábado, dia 13 de setembro (três dias antes da suposta desistência de Milly Lacombe) e que decidiram conjuntamente não trazer mais a jornalista para participar da Flim: “Logo que você (Zé Luís) me levou esse assunto, imediatamente já liguei ao Vicentina Aranha, conversei com o doutor Aldo Zonzini, que é o nosso diretor executivo lá da AFAC, que é a empresa gestora, que é a entidade gestora, e já decidimos ali, no sábado pela manhã, já foi decidido já que nós não íamos mais trazê-la por causa dessas questões da postura dela”, disse Anderson Farias. Para o promotor, o vídeo evidencia "a utilização de critérios subjetivos e convicções pessoais para calar voz plural em evento cultural custeado com recursos públicos, o que, na hipótese, implicaria em odioso ato de censura". Em entrevista a Rede Vanguarda, no dia 17 de setembro, o político voltou a falar sobre o caso. "Nós estamos falando de um evento público, com dinheiro público, dentro de um parque público. Então, isso cabe a mim, como gestor da cidade, que a gente não traga esse tipo de viés, às vezes. Se ela foi infeliz na colocação dela, na defesa que ela põe, eu respeito, posso não concordar, muita gente não concorda, muita gente concorda, mas a questão não é essa. A questão é a gente não trazer pra um evento como esse da Flim algo que possa dividir”, afirmou Anderson Farias. Milly Lacombe acabou deixando a Flim. Em reação, outros escritores abandonaram o evento e a feira literária mais tradicional da cidade acabou adiada de setembro para novembro, mês em que foi realizada – sem a presença da jornalista. O Ministério Público questionou a Afac e a prefeitura. De acordo com o MP, na resposta, a prefeitura “foi taxativa ao dizer que não houve veto formal do Prefeito ou do Município à participação de Milly Lacombe, asseverando que, na verdade, o que teria ocorrido foi a desistência da jornalista em participar do evento por iniciativa própria, recusando-se a assinar o contrato da AFAC por sentir-se insegura diante de críticas feitas por vereadores nas redes sociais”. Já Aldo Zonzini filho afirmou que “a Afac e a assessoria da Sra. Milly Lacombe tomaram, conjunta e consensualmente”. O MP, contudo, aponta contradições entre as versões apresentadas e os registros públicos disponíveis. Para a Promotoria, a retirada da jornalista e a saída de outros convidados em protesto resultaram em prejuízo cultural à população, com a descaracterização da curadoria original da feira. A portaria do MP que abre a investigação afirma que a Constituição Federal proíbe qualquer forma de censura política, ideológica ou artística. Diante dos indícios, o Ministério Público determinou que sejam ouvidas testemunhas, a própria jornalista e a requisição de documentos, para aprofundar a apuração dos fatos. O g1 tentou contato com a assessoria de imprensa da Prefeitura de São José dos Campos na noite desta sexta-feira, mas não conseguiu retorno sobre o caso. LEIA TAMBÉM: Flim 2025 é adiada após veto a Milly Lacombe e onda de cancelamentos ‘Não poder participar de uma feira literária é uma derrota', diz Milly Veto gera onda de cancelamento de convidados em feira literária Quem é Milly Lacombe, jornalista que teve presença cancelada em feira literária Prefeito reforça veto a Milly Lacombe: 'Com dinheiro público, não vou permitir' Ministério da Cultura emite nota de repúdio e cobra explicações após veto Após adiar Flim, prefeito de São José promete nova data para feira Polêmica na Flim A Flim de São José dos Campos (SP) - que teve a edição de 2025 adiada por dois meses após uma polêmica envolvendo um veto à jornalista Milly Lacombe - é considerada a maior feira literária da região do Vale do Paraíba e uma das maiores do interior de São Paulo. O evento, que inicialmente seria realizado em setembro, foi adiado para o fim de novembro, com uma nova agenda que atraiu um público menor do que costumava. Na programação inicial, as três curadoras e 16 autores cancelaram participação em protesto ao veto à Milly. Ela foi barrada pelo prefeito Anderson Farias (PSD) depois da repercussão de declarações ao podcast “Louva a Deusa”, no fim de julho deste ano, em que fez críticas ao conceito de família tradicional. Ao g1, o podcast afirmou que a fala de Milly foi tirada de contexto, afirmando que "há discrepância evidente entre o que foi dito originalmente pela convidada e os recortes posteriores usados para promover censura, desqualificação pública e silenciamento" - leia mais abaixo. Criada há 10 anos, a Flim é uma feira literária que promove diversas atividades gratuitas à população, como mesas literárias, lançamento de livros, rodas de conversa, contação de histórias, salas de leitura, shows e ações didáticas. A Flim já envolveu mais de 300 escritores convidados, com a participação de diversos nomes nacionais e até internacionais. Após veto a Milly Lacombe e onda de cancelamento, Flim 2025 é adiada; nova data ainda não foi definida Foto 1: Vitor Chambon/Divulgação Agência Brasil Foto 2: Divulgação/Prefeitura de SJC Em 2025, a Flim já havia confirmado a participação de profissionais renomados, como Xico Sá, Marisa Orth e a própria Milly Lacombe. Também já participaram do evento Mia Couto, Maria Ribeiro, Gregório Duvivier, Zezé Motta, Laerte, Ignácio de Loyola Brandão, Chico César e o poeta argentino Washington Cucurto. A feira sempre aconteceu Parque Vicentina Aranha, uma área verde considerada um dos principais cartões postais de São José dos Campos Essa foi a maior crise que o evento passou desde o lançamento. Outro episódio que gerou polêmica envolvendo a Flim aconteceu em 2022. Na data, durante uma apresentação na Flim, a cantora Maria Gadú segurou uma toalha com o rosto de Lula (PT), que na época era candidato à presidência. No tecido, havia a frase ‘Eu voto’ escrito acima do rosto do político, o que declarou o voto da artista em meio ao período eleitoral. Na época, a Prefeitura solicitou que a AFAC suspendesse o pagamento do cachê da cantora. Dias depois, a entidade confirmou que o cachê ficou retido e que o caso seria denunciado para investigação do Ministério Público de São Paulo e da Justiça Eleitoral. Ao g1, o podcast “Louva a Deusa” disse que "vê com preocupação o uso recortado e manipulado da opinião da escritora e jornalista Milly Lacombe" e, segundo o canal, "há discrepância evidente entre o que foi dito originalmente pela convidada e os recortes posteriores usados para promover censura, desqualificação pública e silenciamento". "O podcast reforça seu apoio irrestrito ao que a convidada de fato promoveu em nosso episódio: reflexão e questionamento lúcidos sobre o uso de valores familiares para promover exclusão e preconceito a corpos dissidentes e outros agrupamentos familiares absolutamente legítimos. Seguiremos sendo espaço seguro para promoção de conversas plurais, confiando em nossa vocação de desafiar o senso comum", finalizou o podcast na nota. Imagem de arquivo - Criança lendo gibi. Júlia Reis/g1 Flim de São José dos Campos Reprodução/TV Vanguarda Convidados cancelam participação após polêmica na FLIM ‘Não poder participar de uma feira literária é uma derrota', diz Milly Lacombe Veja mais notícias do Vale do Paraíba e região bragantina

FONTE: https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2026/01/16/mp-abre-inquerito-para-investigar-prefeito-de-sao-jose-por-veto-a-milly-lacombe-em-feira-literaria.ghtml


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