Primeiro elefante-marinho monitorado no Brasil volta para natureza após um mês em reabilitação no Paraná

  • 23/01/2026
(Foto: Reprodução)
Filhote de elefante-marinho inicia jornada de volta para casa Após quase um mês em reabilitação, um filhote de elefante-marinho resgatado no litoral paranaense em dezembro do ano passado iniciou, nesta quarta-feira (21), uma nova jornada. Durante os próximos meses, ele deve percorrer cerca de 2.500 km até a Península de Valdés, na Argentina, onde a espécie costuma se reproduzir. ✅ Siga o canal do g1 PR no WhatsApp O elefante-marinho foi resgatado em 26 de dezembro, no Balneário de Monções, em Matinhos, cidade do litoral paranaense. Segundo os pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), ele estava debilitado e com um quadro de pneumonia. Camila Domit, coordenadora do projeto, explica que a simples ocorrência de elefantes-marinhos na costa brasileira são casos raros. No caso do filhote resgatado, além de ter nascido no Brasil, existe também a possibilidade de que ele seja paranaense. Embora indivíduos jovens e adultos já tenham sido registrados na costa paranaense, o nascimento de um elefante-marinho na região é inédita para a ciência. "O nascimento desse animal no Brasil, ainda é uma grande incógnita. O fato desse animal estar aqui, o fato dele ser reabilitado e ser devolvido na natureza nos relembra que temos um compromisso com o oceano. O que nós estamos fazendo aqui, de alguma forma também vai influenciar toda a biodiversidade marinha", afirma. Equipe de pesquisadores anexou uma 'anteninha' temporária no animal LEC/UFPR O animal é um macho de 68 kg e 1,80 m de comprimento. Aos quatro meses de vida, ele ainda está com os dentes nascendo. Na fase adulta, pode passar de duas toneladas. No quase um mês de reabilitação no LEC, em Pontal do Paraná, no litoral do estado, o elefante-marinho passou por exames, recebeu medicamentos para o tratamento da pneumonia, e passou por uma "engorda". "Com o tratamento que a gente instituiu, ele melhorou clinicamente e, agora, no finalzinho da reabilitação ganhou uma quantidade maior de peixe para ganhar um pesinho e estar em uma condição boa de retornar à natureza", explica Juliana Bresciani, médica veterinária que acompanhou o processo. LEIA TAMBÉM: Obra de engorda: Praia de Matinhos forma paredão de areia com mais de 2 metros de altura ao lado de estrutura onde Governo do Paraná fará shows de verão Contaminação: Centenas de peixes mortos se espalham por 4 km de rio e Secretaria do Meio Ambiente relata ‘cheiro de defensivo agrícola’ no Paraná Lixo no oceano: Sacos parecidos com os usados para evitar paredão de areia em Matinhos são encontrados a 25 km de distância, em Pontal do Paraná De volta para casa Filho de elefante-marinho foi resgatado no final do ano passado, em Matinhos (PR) RPC/Reprodução Antes da soltura, a equipe de pesquisadores também anexou um transmissor ao filhote, uma espécie de "anteninha". O equipamento deve se desprender em até seis meses e serve para monitorar o deslocamento e a saúde do animal durante o trajeto. O bebê elefante-marinho foi solto na região Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, a 14 quilômetros da costa paranaense. Segundo Domit, a localização deve afastar o filhote de atividades humanas que possam trazer algum tipo de impacto ou lesão. "O elefante-marinho é uma espécie oceânica, é uma espécie que se alimenta em zonas de alta profundidade. A ideia de trazer esse elefantinho para essa região é, primeiro, dar a ele a oportunidade de ficar longe de uma zona urbana. Lembrar que o elefante-marinho é semelhante a uma foca, e tem um grau de parentesco com cachorros e gatos. A gente tem uma preocupação que doenças que afetam cachorros e gatos nas nossas cidades possam afetar também a saúde desse animal que está super saudável, super bem", explica. A despedida foi comemorada pelos pesquisadores que o acompanharam. Depois do mergulho do filhote, os cientistas ficaram mais um pouco no local, monitorando que esse retorno inicial fosse tranquilo. A partir dali, o filhote de elefante-marinho deve seguir a jornada até a Patagônia Argentina. A ida para casa, que nem ele conhece, deverá ser feita pelo instinto, com paradas, principalmente em ilhas entre Brasil, Uruguai e Argentina. Nesses locais, ele irá se alimentar e também descansar. "Esses primeiros dias realmente são de adaptação para ele entender o novo ambiente que ele está, aprender a caçar... Porque ele ficou um tempo em reabilitação, então aprender a buscar seu próprio alimento e a partir disso seguir o rumo dele para voltar a região dele", detalha Bresciani. O elefante marinho no primeiro mergulho no mar após a recuperação Maycon Hoffmann/RPC Caso o roteiro mude e o animal pare em alguma praia, a orientação é que a população se afaste e acione o Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos ou os órgãos ambientais de cada local. Assim, a viagem do bebê fica mais segura. Os pesquisadores do LEC têm trabalhado com colaboração com cientistas do Uruguai, Argentina, Estados Unidos e Europa para compreender a ocorrência. "Estamos tentando compreender o que está acontecendo com essa população de elefantes-marinhos, mas também com populações de outros mamíferos aquáticos, afinal o oceano está influenciando a vida de todos eles", afirma Camila Domit. *Com colaboração de Rodrigo Matana, estagiário do g1, supervisionado por Mariah Colombo. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.

FONTE: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2026/01/23/elefante-marinho-volta-para-natureza-reabilitacao-parana.ghtml


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